Aumento do preço dos cereais é uma ameaça
17-Ago-2010

A AIPAN fala de "um momento insustentável" e a IACA diz que, "no actual contexto, isto é o pior" que lhes podia acontecer. Exige "medidas urgentes" da Comissão Europeia para "travar a especulação dos mercados".A escalada do preço dos cereais, mais visível desde o início de Julho e que se agravou no início de Agosto, está a preocupar a indústria europeia que os incorpora na fabricação dos produtos. Teme-se por uma réplica da situação de há dois anos, que então se fez acompanhar de um aumento acentuado dos preços do petróleo e que fez disparar a inflação e ditou a subida dos juros pelo Banco Central Europeu em pleno eclodir da crise americana do 'sub-prime'. E os receios estendem-se à indústria nacional, da panificação às rações, podendo alargar-se às carnes (bovinos, suínos e aves, em particular), lacticínios, ovoprodutos, entre outras. Apesar de várias fontes internacionais e de a própria Comissão Europeia referirem que a situação é diferente da de 2008, os industriais de rações querem "medidas urgentes" da UE. Jaime Piçarra, secretário-geral da Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA), fala de "dois tipos de problemas: a baixa de produção de cereais e a especulação" nos preços a nível mundial. De acordo com a monitorização de preços das matérias-primas efectuada pela IACA, em Julho o milho era comprado a 187 euros/ton, o trigo forrageiro a 155 euros e cevada a 135 euros/ton". Menos de um mês depois, "o milho está entre os 200 e os 205 euros/ton (mais 10 por cento), o trigo nos 190 euros (mais 23 por cento) e a cevada nos 185 euros/ton (mais 37 por cento)". E "o mais 'caricato'", diz Jaime Piçarra, é que "a cevada tenha registado a maior subida, quando existem cerca de seis milhões de toneladas de cereais nos 'stocks' de intervenção comunitários, dos quais mais de cinco milhões são cevada". Não há "motivos para alarmismo", diz o ministro da AgriculturaO ministro da Agricultura, António Serrano, garante que o Ministério "está a acompanhar" o assunto e que o mesmo "justifica preocupação, mesmo que não indicie motivos para alarmismo nesta data". É que, "apesar dos aumentos face a 2009", os preços são "inferiores ao dos anos anteriores". Explicando que não foram feitas "quaisquer importações de trigo da Rússia para Portugal nos últimos cinco anos", António Serrano sabe do "efeito dominó que o embargo [russo, decretado esta semana por Vladimir Putin], pode originar, em particular no preço do milho". Em todo caso, diz, as "previsões" da não existência de "problemas na colheita da Austrália e Argentina, outros grandes produtores mundiais, cuja produção estará no mercado em Dezembro, poderá levar a uma inversão" desta tendência e gerar "um efeito estabilizador sobre os preços".

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